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ep.10, t.2

Rayane Pereira

#10 Capoeira. De crime a patrimônio.

No décimo episódio do Ossobuco, Rayane Pereira detalha sua jornada na capoeira, que começou nos anos 90 sob a influência de seu irmão, apesar do estigma de violência que a prática carregava na época.

Na segunda parte, o historiador Daniel Mioju contextualiza a capoeira como um aspecto profundo da alma brasileira e destaca o pioneirismo de Brasília, onde surgiu a primeira mestra de capoeira reconhecida no mundo, Mestra Edna, em 1978. 

Aperte o play aqui em cima para ouvir o episódio. Depois volta para descobrir conteúdos extras que preparamos para você.

Abaixo, você pode acompanhar pelo player do YouTube o episódio em libras.

Hoje, Rayane atua como arte-educadora, ministrando vivências de capoeira inclusive para bebês a partir de 4 meses, e lidera o Coletivo Oroyá. Este grupo surgiu da necessidade de mulheres praticarem a capoeira em um ambiente seguro, livre das opressões do patriarcado, reafirmando a prática como uma ferramenta de identidade e resistência.

Foto: Arquivo Rayane. Rayane e seus alunos na festa da Capoeira da educação infantil em 2015.
Foto: Arquivo Rayane. Rayane e seus alunos na festa da Capoeira da educação infantil em 2015.

Rayane também integra a Rede de Kilombeiras e o grupo Jongo do Cerrado. A Kilombeiras é um encontro diaspórico de mulheres e pessoas não binárias angoleiras, que há três anos vem confluindo, construindo, reflexões e ações diversas de resgate as memórias e tradições, valorização do bem viver, das Mestras, tendo a capoeira como essa tecnologia ancestral tão grandiosa que dá caminho.

Já o Jongo do Cerrado é um grupo de estudos e práticas de jongo, uma expressão cultural afro-brasileira de origem banto (Angola/Congo), ancestral do Samba e reconhecido como patrimônio imaterial do Brasil. 

Foto: Arquivo Rayane. Roda de Capoeira Amigos do Guará na rua do Lazer no Guará 2 - Brasília DF.
Foto: Arquivo Rayane. Roda de Capoeira Amigos do Guará na rua do Lazer no Guará 2 – Brasília DF.

Um dos pontos curiosos na história é o fato de a família de Rayane ter vivido na Vila Amaury, uma ocupação que existiu entre 1958 e 1960 e que hoje está submersa pelas águas do Lago Paranoá. Em nossa visita à Rayane, tivemos acesso ao livro Uma Cidade Encantada – Memórias da Vila Amaury em Brasília, onde há a história contada da sua mãe Eunice Pereira dos Santos. O livro em sua versão digital pode ser acessado aqui.

Foto: Divulgação. Capítulo sobre a história de Eunice, mãe de Rayane.
Foto: Divulgação. Capítulo sobre a história de Eunice, mãe de Rayane.

Da travessia da sua família do Nordeste para a cidade da esperança, como ela cita sobre Brasília, Rayane transformou essa memória em arte ao criar a personagem Mutamba, que carrega consigo um jumentinho de brinquedo (também chamado Cafuringa) para que ele “não precise mais chorar”, unindo brincadeira e reparação histórica. Essa brincadeira surgiu a partir do seu encontro com a Casa Moringa. Para saber mais sobre a casa, pode consultar o site aqui.

Foto: Arquivo Rayane. Personagem Mutamba.
Foto: Arquivo Rayane. Personagem Mutamba.

Deixamos aqui para você alguns locais e coletivos citados no episódio para você se inteirar mais no universo da capoeira no DF.

  • Jongo do Cerrado: Grupo de estudos e práticas liderado por Apoena Machado, sediado na Vila Telebrasília. Acompanhe o perfil no instagram.
  • Rede de Kilombeiras: Rede integrada por mulheres, e pessoas não-binárias, negras Angoleiras. Perfil no Instagram.
  • Associação Lagoa Azul de Capoeira: Escola do Mestre Olodum, representante da linhagem do Mestre João do Pulo e do Grupo Senzala. Perfil no instagram.
  • Roda dos Amigos do Guará: Movimento de ocupação do espaço público que realiza rodas mensais na rua. Confira entrevista da Rayane, como professora Mutante, ao Papoeirando.
  • Saberes dos Mestres e das Mestras na Capital: Projeto idealizado por Daniel Mioju voltado para a salvaguarda da capoeira no DF. O lançamento do livro ocorreu em 7 de março de 2026. Acompanhe a página do projeto no Instagram.

Coordenação-geral, roteiros, edição de conteúdo e apresentação:
Heloisa Rocha
Coordenação de produção, mentoria e curadoria: Denise Köche
Pesquisa: Mayra Fonseca
Coordenador Técnico de Som: Jota
Gestão Administrativa: Beatriz Ramos
Fotos: Zuleika de Souza
Edição e trilha: Aloizio Lows, da Som do Cosmo
Edição de vídeo: Gustavo Bertozzi
Intérprete de Libras: Monica Azevedo e Viviany Lucas
Identidade visual: Vinicius Santos
Site: Daniel Souza e Danilo Lima
Estratégia de Comunicação: Thum Thompson
Mídias Sociais: Carol Dutra
Assessoria de Imprensa: Érica Cidade

No nosso canal no YouTube, você encontra mais de 10 anos de histórias:
youtube.com/user/ossobucobsb

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